sexta-feira, 13 de maio de 2016

F.W.V.

Eu sempre voltarei, como sua sede por vida...


Se você é uma criatura eterna, principalmente noturna, poderá me entender no aspecto de, quando você conhece alguém que mexe com você a tal ponto de você só querer vê-la novamente sempre que possível. E mesmo depois da morte, esse desejo continua intacto. Eu não sou uma criatura da noite, não gosto muito de falar sobre mim, muito menos dizer quem eu sou ou o que faço.
Isso aconteceu em meados do século XIX, na Bulgária. Já havia um tempo que eu não o via mais. Sinceramente... já estava esquecendo um pouco de sua aparência. Dizem, que quando passamos muito tempo longe de alguém, a primeira coisa que esquecemos é a voz da pessoa, no meu caso, a voz é a única que eu nunca esqueço, e a dele não seria diferente. Estava passando por um bar à beira da estrada rural naquele momento, [o corpo que eu estava habitando, era muito bonito, pele morena, seios maliciosos, cintura impecável, altura mediana e cabelos à altura da cintura. Pertencia à uma jovem que estava prestes a cometer suicídio e para evitar esse ato eu o peguei emprestado sem pedir permissão] quando passei... ouvi ecoar uma gargalhada, ela e era muito familiar. “Será? ”, sem pensar duas vezes eu entrei. Todos me olharam, mas um me chamou a atenção em especial, F.V. E então, algo inesperado aconteceu, ele veio em minha direção como se me conhecesse.
- Com licença senhores. Devo retirar-me.
Não me lembrava exatamente de como era seu rosto, porém vê-lo diante de mim, desertou em mim algo que não podia entender... cabelos castanho um pouco grande, olhos claros.
- Você está perdida?
Não falo nada. Apenas o observo. Ele está diferente... está frio.
- Precisa de ajuda?
- Não sei onde estou.
Que triste... tão sozinha... – diz tocando meu rosto.
- Vampiro.
- Como assim?
- Não se passe por tolo. Beba. – Deixo em evidência meu pescoço. Então, desejoso ele me olha.
- Vamos para um lugar mais reservado.
Ele segura minha mão e leva-me para um celeiro, (até que estava limpinho...).
- Desculpe pelo lugar...
- Com você navegaria até todos os turbulentos mares da eternidade...
- Por um acaso já nos conhecemos?
- Você não me conhece, porém, eu conheço você.
- O que você é?
- Basicamente, um espírito. – Digo enquanto percorro o local.
- E de quem é esse corpo?
- De uma garota jovem que estava prestes a cometer suicídio. Esse corpo, agora é seu F. Sugue-o. – digo aproximando-me.
- Não me parece uma ideia tão má.
Ele põe suas mãos em minha cintura e morde meu pescoço, puxando-me para si. Ele para, e olha para mim.
- O corpo é meu certo? – Concordo. – Então posso fazer o que eu quiser? – Sorrio. E ele me beija intensamente.
Encosta-me na parede e suspende-me. De repente, ele já está dentro de mim, há tempos eu não sentia isso. Ele para, e suga o resto de vida que ainda tenho. Quando vejo, diante de mim está um corpo sem vida e um vampiro sanguinário. “Ele mudou...”, de modo súbito, sussurro eu seu ouvido “eu voltarei F.”.