Eu sempre voltarei, como sua sede por vida...
Se você é uma
criatura eterna, principalmente noturna, poderá me entender no aspecto de,
quando você conhece alguém que mexe com você a tal ponto de você só querer
vê-la novamente sempre que possível. E mesmo depois da morte, esse desejo
continua intacto. Eu não sou uma criatura da noite, não gosto muito de falar
sobre mim, muito menos dizer quem eu sou ou o que faço.
Isso aconteceu
em meados do século XIX, na Bulgária. Já havia um tempo que eu não o via mais. Sinceramente...
já estava esquecendo um pouco de sua aparência. Dizem, que quando passamos
muito tempo longe de alguém, a primeira coisa que esquecemos é a voz da pessoa,
no meu caso, a voz é a única que eu nunca esqueço, e a dele não seria
diferente. Estava passando por um bar à beira da estrada rural naquele momento,
[o corpo que eu estava habitando, era muito bonito, pele morena, seios
maliciosos, cintura impecável, altura mediana e cabelos à altura da cintura.
Pertencia à uma jovem que estava prestes a cometer suicídio e para evitar esse
ato eu o peguei emprestado sem pedir permissão] quando passei... ouvi ecoar uma
gargalhada, ela e era muito familiar. “Será? ”, sem pensar duas vezes eu
entrei. Todos me olharam, mas um me chamou a atenção em especial, F.V. E então,
algo inesperado aconteceu, ele veio em minha direção como se me conhecesse.
- Com licença
senhores. Devo retirar-me.
Não me lembrava
exatamente de como era seu rosto, porém vê-lo diante de mim, desertou em mim
algo que não podia entender... cabelos castanho um pouco grande, olhos claros.
- Você está
perdida?
Não falo nada.
Apenas o observo. Ele está diferente... está frio.
- Precisa de
ajuda?
- Não sei onde
estou.
Que triste...
tão sozinha... – diz tocando meu rosto.
- Vampiro.
- Como assim?
- Não se passe
por tolo. Beba. – Deixo em evidência meu pescoço. Então, desejoso ele me olha.
- Vamos para
um lugar mais reservado.
Ele segura
minha mão e leva-me para um celeiro, (até que estava limpinho...).
- Desculpe
pelo lugar...
- Com você
navegaria até todos os turbulentos mares da eternidade...
- Por um acaso
já nos conhecemos?
- Você não me
conhece, porém, eu conheço você.
- O que você
é?
- Basicamente,
um espírito. – Digo enquanto percorro o local.
- E de quem é
esse corpo?
- De uma
garota jovem que estava prestes a cometer suicídio. Esse corpo, agora é seu F. Sugue-o.
– digo aproximando-me.
- Não me
parece uma ideia tão má.
Ele põe suas
mãos em minha cintura e morde meu pescoço, puxando-me para si. Ele para, e olha
para mim.
- O corpo é meu
certo? – Concordo. – Então posso fazer o que eu quiser? – Sorrio. E ele me
beija intensamente.
Encosta-me na
parede e suspende-me. De repente, ele já está dentro de mim, há tempos eu não
sentia isso. Ele para, e suga o resto de vida que ainda tenho. Quando vejo,
diante de mim está um corpo sem vida e um vampiro sanguinário. “Ele mudou...”,
de modo súbito, sussurro eu seu ouvido “eu voltarei F.”.
